Durante a gravidez, a pele passa por várias mudanças devido às alterações hormonais e físicas que ocorrem no corpo. São processos naturais, em que o corpo torna-se apto para manter uma nova vida que surge dentro dele. Mesmo assim, podem ser incômodos e gerar receios nas mulheres. Para manter a pele saudável, a mente tranquila e minimizar a chance de ocorrerem problemas, é preciso manter uma rotina de cuidados no dia a dia.
Antes de mais nada, é preciso lembrar que cada gestação é única, e o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. O blog da Belíssima separou algumas informações importantes para contribuir no seu autoconhecimento, mas lembre-se de consultar um médico especialista em Dermatologia para desenvolver um plano de cuidados com a pele na gravidez adequado às suas necessidades específicas.
Quais são as mudanças na pele durante a gravidez?
Segundo a médica Fernanda Freitag, da Sociedade Brasileira de Dermatologia RS (SBD-RS), é natural que o corpo da gestante sofra diversas alterações e, por conta do impacto hormonal, algumas mudanças serão visíveis na pele também.
A médica destaca que um dos sinais mais frequentes é o escurecimento de regiões como aréolas, axilas, virilha e genitália. Cicatrizes, sardas e pintas também podem escurecer temporariamente, e a famosa “linha nigra”, uma linha escura que aparece no centro do abdômen, costuma surgir por volta do segundo trimestre. Essas alterações costumam regredir de forma gradativa alguns meses após o parto.
Outro aspecto bastante comum são as estrias gravídicas, que aparecem especialmente no fim da gestação devido à distensão da pele e à predisposição genética. Para ajudar a preveni-las, é recomendado manter o controle do peso e aplicar hidratantes diariamente.
Também pode haver aumento na transpiração, já que as glândulas sudoríparas se tornam mais ativas, o que aumenta a chance de brotoejas conforme a sensibilidade de cada gestante.
A coceira na pele também pode aparecer ao longo da gestação, especialmente na região abdominal, e tende a se intensificar com o passar das semanas. Normalmente, essa sensação está relacionada ao estiramento da pele, mesmo assim é fundamental que seja avaliada por um dermatologista. Isso porque, em alguns casos, pode estar associada a condições mais sérias, como a colestase intra-hepática da gestação, que requer acompanhamento médico adequado.
Além disso, algumas mulheres podem perceber o surgimento de vasinhos finos no rosto, pescoço e braços, bem como o crescimento de pelos mais evidentes em regiões como braços e face, que tendem a diminuir após cerca de seis meses do parto. O cabelo também sofre alterações, e a sua queda após o nascimento do bebê, conhecida como eflúvio telógeno pós-parto, é considerada fisiológica e temporária.
Outras mudanças que podem ocorrer são:
- Melasma: também conhecido como “máscara na gravidez”, é uma condição em que manchas escuras e irregulares aparecem no rosto;
- Acne: algumas mulheres podem experienciar o aumento de acne no rosto, especialmente no primeiro trimestre;
- Sensibilidade: a pele do rosto pode ficar mais sensível durante a gravidez, tornando-se propensa a irritações e vermelhidão;
- Brilho da pele: é comum a pele do rosto ficar mais brilhante e radiante durante a gravidez. Isso pode estar relacionado ao aumento do fluxo sanguíneo e às mudanças hormonais que afetam a produção de óleo na pele;
Gravidez: principais cuidados com a pele
Durante a gestação, o corpo da mulher passa por uma série de transformações hormonais que também impactam diretamente a pele. Por isso, adotar uma rotina de cuidados é essencial para manter a saúde cutânea e evitar desconfortos como ressecamento, acne ou reações adversas.
Confira as dicas a seguir, indicadas pela dermatologista Andréa Sampaio, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e professora de Dermatologia do Instituto IMS, do Rio de Janeiro.
Proteção contra melasma
Um dos pontos mais importantes é a proteção contra a radiação UV e a luz visível, especialmente no rosto, já que há maior propensão ao surgimento de manchas, como o melasma. O uso diário de filtro solar mineral é o mais indicado, pois contém filtros físicos e menor quantidade de ativos químicos que podem irritar a pele ou serem absorvidos em excesso.
Além de evitar exposição solar excessiva, que pode contribuir para aumento de acne e rosácea, manter o controle da oleosidade auxilia bastante. São recomendados o uso de produtos tópicos calmantes à base de camomila, chá verde, niacinamida, nicotinamida, aveia ou aloe vera podem ajudar nas peles sensíveis ou com rosácea.
Para as peles mais oleosas, destacam-se os produtos com ácido azelaico ou nicotinamida, que são liberados. Essas substâncias fazem parte da categoria B dos medicamentos, ou seja, não apresentam risco para o feto. Para as peles mais sensíveis ou com rosácea, é indicado o uso de produtos tópicos calmantes à base de camomila, chá verde, niacinamida, nicotinamida, aveia ou aloe vera.
Hidratação e prevenção de estrias
Manter a pele bem hidratada ao longo da gestação ajuda não só no conforto diário, mas também na prevenção de condições como dermatites, eczemas e as temidas estrias. Regiões como abdômen, seios, coxas e lombar merecem atenção redobrada, já que sofrem maior distensão da pele.
Por isso, a aplicação diária de hidratantes específicos para gestantes, livres de fragrâncias intensas e ingredientes agressivos, contribui para manter a elasticidade da pele. Para quem tem a pele naturalmente mais oleosa, é indicado utilizar produtos leves, oil free e livres de ácidos como retinol, ácido retinóico ou salicílico, que devem ser evitados durante a gravidez.
Além dessas substâncias, deve-se evitar concentrações elevadas de ureia. Mesmo assim, em geral os hidratantes comuns não apresentam nenhuma contraindicação. É seguro usar produtos à base de óleos e ceramidas, sem ácidos ou outros irritantes em sua formulação.
Cuidados na rotina de limpeza
Uma boa higiene facial também faz parte dos cuidados essenciais com a pele na gravidez. Lave o rosto duas vezes ao dia com um sabonete suave, adequado ao seu tipo de pele, para evitar acúmulo de oleosidade e sujeiras sem agredir a barreira cutânea.
Caso deseje esfoliar a pele, escolha esfoliantes leves e não abrasivos, que ajudem na renovação celular de forma delicada. Evite produtos com fragrâncias fortes ou ingredientes sensibilizantes, já que a pele da gestante tende a ficar mais reativa nesse período.
A alimentação também exerce um papel fundamental na saúde da pele durante a gravidez. Uma dieta rica em frutas, vegetais verdes escuros, proteínas magras, laticínios com baixo teor de gordura, grãos integrais e gorduras boas (como as encontradas em peixes e sementes) contribui para manter a pele nutrida de dentro para fora.
Além disso, o consumo adequado de água é essencial para favorecer a hidratação natural da pele, prevenir o ressecamento e promover o equilíbrio do organismo como um todo. Com orientação médica e atenção aos detalhes, é possível atravessar a gestação com mais conforto e bem-estar.
Cuidados com a pele durante a gravidez: o papel da alimentação e suplementação
Durante a gravidez, a pele da mulher passa por transformações visíveis, como manchas, oleosidade, sensibilidade ou ressecamento, que podem ser influenciadas tanto por fatores hormonais quanto nutricionais.
Vitaminas como a B2, C, A e E desempenham papéis importantes nesse processo. A deficiência de vitamina B2, por exemplo, pode provocar rachaduras nos lábios, eczemas e queda de cabelo. Já a vitamina C, com seu poder antioxidante, é essencial para a produção de colágeno, contribuindo para uma pele mais firme e saudável.
A vitamina A é considerada fundamental para a regeneração celular, mas deve ser consumida com cautela. Da mesma forma, embora a vitamina E proteja a pele contra o estresse oxidativo, pode causar efeitos contrários se for consumida em excesso.
Micronutrientes essenciais e o impacto na pele
Entre os nutrientes mais recomendados durante a gestação, o ácido fólico merece destaque. Ele deve ser suplementado antes da concepção e nas primeiras semanas de gravidez para prevenir malformações no tubo neural. O ferro também tem papel essencial, já que a sua deficiência está associada a maior risco de anemia materna, o que pode comprometer a oxigenação dos tecidos, inclusive da pele.
A vitamina D, o cálcio e o ômega-3 (DHA) são outras substâncias importantes. A deficiência de vitamina D, além de afetar ossos e imunidade, pode prejudicar a função de barreira da pele. Já o ômega-3 está ligado a uma melhor resposta anti-inflamatória, o que pode ajudar na prevenção de alterações cutâneas associadas à gestação, como acne e irritações.
Suplementação com segurança e sob orientação
É essencial lembrar que nem toda gestante precisa tomar suplementos multivitamínicos. Para mulheres saudáveis, com alimentação equilibrada, a suplementação excessiva pode trazer mais riscos do que benefícios.
Na Belíssima, você encontra uma linha de suplementos de colágeno de qualidade e produzidos com responsabilidade. Avalie com seu médico os níveis de cada nutriente, para entender o seu histórico clínico, e considere fatores como o trimestre da gravidez e o estilo de vida. Esses são passos fundamentais para garantir que a suplementação seja segura e eficaz, tanto para a pele quanto para a saúde como um todo.
REFERÊNCIA
El Beitune P, Jiménez MF, Salcedo MM, Ayub AC, Cavalli RC, Duarte G. Nutrição durante a gravidez. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo); 2018. (Protocolo Febrasgo – Obstetrícia, nº 14/Comissão Nacional Especializada em Assistência Pré-Natal).
